quinta-feira, 5 de maio de 2011

A vida cobra e não da pra esperar! Parece que ontem eu me via deitada trancada no meu quarto lendo Christiane F., que por sinal ganhei de aniversário de 15 anos, e hoje me vejo aqui, em uma sala de escritório, com 20 anos e como sempre escrevendo, tem coisas que não mudam nunca. Eu andei me avaliando e percebi que sou uma pessoa muito inconstante. Quando menor queria ser modelo, mesmo me achando feia, aquele glamour todo, dinheiro que eu achava fácil me parecia muito comodo, conforme fui crescendo perdi o gosto, o tesão por isso tudo e me infiltrei em uma banda, que chegamos ate a tocar com bandas famosas do momento, como Gloria e Fake Number, passado isso perdi aquele gás de menina roqueira, maloqueira, cara amarrada. Fui percebendo que os tão esperados 18 já estava batendo a porta, mais rápido ate do que eu esperava, não o vi, não senti, apenas veio, e, ali era pra começar uma vida profissional e madura, mas não foi assim, como tudo na minha vida nunca foi habitual, isso também não. Com 18 eu não trabalhava, gastava o dinheiro dos meus pais em noitadas quentes de puro rock'n'roll, não estudava e não gostava nem um pouco de ouvir meus pais falando disso. O tempo foi passando e eu fui perdendo as pessoas que gostavam de mim de verdade e que só queriam que eu levasse uma outra vida, mas eu não queria saber, ate que fui vendo as pessoas as quais estavam comigo, na mesma irresponsabilidade e rebeldia parando em hospitais, porque chega uma hora que o corpo pede arrego, sendo presas inocentementes e eu ali no meio daquela muvuca, tendo tudo que eu queria, tendo pais que mesmo eu errada, me davam conselho, puxões de orelha e sempre que eu precisasse eles estavam ali. Meu pai já chegou ate a sugerir que eu viajasse para o rio de janeiro ou fosse estudar na argentina, mas não era nada disso que eu queria, eu estava impossível, não tinha mais vida familiar, meus irmãos menores me olhavam estranho pela minha ausência, mesmo estando na mesma casa eu estava fora do ar. Eu não vi e nem sei como eu cheguei a esse ponto, não vi as coisas passar e não me vi mudar tanto. As pessoas diziam que eu tinha mudado, e, eu achava que não, mas realmente quem vê de fora ver melhor, porque eu olho pra traz e vejo a minha antiga vida, ou melhor, meu antigos hábitos e vejo realmente que eu mudei, mudei porque eu não era daquele jeito, eu me tornei daquele jeito. Tive uma crise respiratória logo que cheguei em casa pela madrugada, meu pai trabalhando, minha mãe durmindo e eu morrendo. Não queria e nem podia acordar ela aquela hora, 4:30 da manha, e, eu estava chegando, mas não teve jeito, mais uma das milhares de vezes foi a ela que eu recorri, ou pelo menos tentei. Abri a porta do quarto dela e me joguei na cama, ali comecei a suar, meus poros ficaram enormes, eu goticulava suor, vomitava sem parar e não respirava. Minha mãe enlouquecendo sozinha, sem conseguir falar com ninguém, quase que comigo nos braços me levou ao hospital. Tomei varias injeções, soros com remédios, tive que iniciar um tratamento com 2 cartelas diferentes de anti-bioticos, passar de 3 em 3 horas rinossoro e assuar, porque se eu engolisse aquele liquido podia ir para o meu pulmão, eu estava com Infecção respiratória. Na mesma semana era meu aniversário de 19 anos, meu pai sempre me dava dinheiro com um bom valor, mas nesse não, me deu roupas e pediu para que minha melhor amiga na época não me deixasse beber, porque eu poderia ate morrer, preocupado eu sabia que ele estava, mas ele não me demonstrava, me demonstrava estar feliz e fez esse pedido a ela escondido, minha mãe que tinha preparado já uma pequena festa com caixas de cerveja, as escondeu na casa de uma tia de consideração, onde la ficou ate hoje e eu nunca as vi. Fui para o shopping comemorar e pela primeira vez eu comemorei comendo, sentada, longe do agito. Dali eu percebi que eu não estava fazendo mal somente a mim, mas a todos que me amavam, e que mesmo com toda a rebeldia eu sabia que eu os amava também, acima de qualquer coisa, são minha familia, e eu os amo tanto que quando olho pra tudo isso me dói. Hoje eu sei que não posso mudar o passado, mas posso fazer diferente, e, eu estou fazendo.

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