quinta-feira, 12 de maio de 2011

Hoje o dia esta normal, nem sol, nem chuva, nem frio, nem calor. Detesto dias assim, sem definição. Acordei esperando o sol, o calor, sentir minha pele queimar e nada. Se eu dissesse que eu gosto da minha rotina eu estaria louca e sendo muito mentirosa. Chego todo dia atrasada, acho que pra satisfazer o ego, e não estar 'mecanicamente' cumprindo horários diariamente, apesar de que, chego atrasada todo dia, ate isso ja virou rotina, ja virou meu horário. As novidades da minha vida estão sumindo, acho que eu conheci tudo rápido demais. Agora vivo nesse banho-maria. Saídas planejadas, rotina assalariada, o radinho que toca todos os dias as mesmas musicas, as mesmas brincadeiras e os mesmos sorrisos. Eles não se cansam, mas eu canso. Tô cansada! Nesse exato momento a rádio toca Ana Carolina & Seu Jorge, pleno 12:00 do dia, eu esperando o almoço que nunca almoço pra poder durmi, jogada no sofá onde ninguém nem senta, e essa melancolia, como se o trabalho já não fosse tedioso demais, eles ainda conseguem piorar e transformar isso aqui em uma tortura.
É revoltante pra mim, saber que estou aqui sem fazer nada, passando e repassando as mesmas paginas de internet, as vezes atendendo a um telefonema, navegando na vida dos outros, expondo a minha, enquanto tem um mundo inteiro la fora, e eu aqui, gastando vida a toa.
Em uma dessas de fazer nada, fazendo tudo, eu conheci um palhaço. Na rua, no farol, no seu local de trabalho. As pessoas tem muito preconceito contra essas pessoas, mas eu não, eu sou da rua, e queria estar la agora fazendo a mesma coisa que ele. Atravessei a rua enquanto o farol estava fechado e ele me acompanhou com os olhos, assim que o farol abriu ele correu para a calçada em minha direção. Não fiquei com medo. Eu não tinha nada que o interessasse, se fosse me roubar, levaria um cachorro-quente amassado que se desfazia na minha mão. Ele perguntou meu nome e eu o dele. Dali ja fomos para o famoso bosque-maia, sem maldade, sem segundas intenções. As vezes as pessoas precisam apenas conversar, com pessoas desconhecidas, que acham que nunca mais vão ver, porque ali você pode ser de verdade. No meio daquele bosque ele encheu meus olhos com a bola de contato, passando sobre seus braços, parando na sua nuca e como um passe de magica ela ja estava intacta em sua cabeça. Ele não era um morador de rua, tem familia boa, mas escolheu a rua, escolheu ser artista circense. Ele faz teatro, trabalha em circo, e o farol? o farol era mais uma de suas experiências. Ele gostava de quando estava a toa, ir para a rua, para o farol, gostava de ver a reação das pessoas com a arte em situações inusitadas e tudo isso ele escrevia em seu caderno. 
'.. há pessoas que tratam a arte como uma fuga em instantes da realidade, se deixam olhar, admirar e ate deixa escapar aquele sorriso meia boca, meio sem graça. Há pessoas que nem a conhecem, e a tratam como 'palhaçada remunerada': Toma ai menino seu trocado e deixa eu passar...'
Passei uma tarde inteira com ele e nem vi a hora passar, brinquei com sua bola de contato que é importada, ate a deixei cair no chão, olhei sem graça, esperando o grito, e tudo que ele disse foi: È, você precisa de muito treino! Rimos, nos despedimos e ele foi embora. Atualmente ele esta em minas com seu grupo circense, mostrando sua arte, tirando reações de pessoas nas esquinas e as escrevendo em seu caderno cheio de desenhos, rabiscos e histórias, de pessoas de verdade, do cotidiano.

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