terça-feira, 10 de maio de 2011


Eu não sei qual é a ideia que cada um que lê aqui tem dos punks, ainda mais depois dos últimos acontecimentos, mas eu posso afirmar que tudo que eu vivi com eles foi de uma loucura só. Eu sou do tipo de pessoa meio 'nômade', assim digamos, estou em qualquer lugar, com qualquer galera, desde que eu aprove.
Uns dos punks eu conheci no meu tempo de escola, mas não andava com eles. Depois de uns anos os reencontrei na famosa matriz, o point pra jovens que querem se libertar e colocar todo o gás pra fora. Ali eu costumava dizer que você conhecia o verdadeiro 'eu' das pessoas. Ali elas eram de verdade. Os filhos que em casa eram enrustidos, ali eram gays, alcoólatras, putas. As vezes estavam ali pra matar uma depressão ou se afundar ainda mais dentro delas. Chegava a ser irônico, uma igreja no centro da cidade, que ao invés de arrecadar fiéis, acolhia um monte de mentes pertubadas em sua calçada. Eu estava ali no meio daquele mar de gente, tentando de alguma forma não me afogar. Eu nunca gostei de estar ali, hoje em dia nem vou mais, mas as vezes eu chego a acreditar que eu tive que estar nesses lugares e viver essas situações, o porque disso, nem me pergunte. Dali, os punks eram os mais errados, mas os de mais bom coração. Viviam em comunidade fechada, o mundo era deles e de mais ninguém. Tinha que saber chegar, pra poder chegar. Eu vivia alheia a tudo isso, mal sabia que no tempo de hoje ainda existiam punks. Me infiltrei e passei a conhecer o modo de vida deles. Eu não era um deles, mas fazia parte da bagunça. Minha vida mudou radicalmente, eu sabia dos perigos que eu corria, mas eu ja não sabia mais viver sem aquela excitação toda. Conforme fui vivendo, fui aprendendo, quem são os verdadeiros 'pilantras', cheguei a bater de frente com eles dentro de um mercado, eu e minhas amigas, o medo existia é claro, mas o sangue quente falava mais alto. Tudo por causa de uma jaqueta, que uma das minhas amigas (atualmente presa) estava usando. Fora 88, que em outras palavras seria contra Hitler, tudo bem que ele morreu e tudo aquilo acabou, mas fora as suas idéias, que vingam vida na cabeça de pessoas pequenas. Ali foi o meu primeiro encontro com os 'skins heads'. Eu não tinha uma exata noção de onde eu estava entrando, nem sabia aonde eu queria chegar, mas sabia que eu chegaria a algum lugar. Passando os dias eu e minha cabeça viajante começou a entender o submundo, o mundo underground, o mundo que a sociedade em sí não mostra e ate mesmo não conhece. Os galpões pichados, sujos, fedidos, que acolhia milhares de iguais em shows falidos, com letras anarquicamente expressivas,  na busca de um único sonho, diria ate que impossível, de liberdade social. Mas ali eles eram felizes, com suas pingas ruins e baratas, as vezes ate achadas em macumbas, ou pelas calçadas do centro velho da cidade. Eu conheci o verdadeiro lugar onde o filho chora e a mãe não vê. Vi adolescentes que agiam como adultos na luta contra o governo, ou achavam que era isso que estavam fazendo, mas não passavam de jovens, as vezes, crianças com cabeças cheias de planos, e os matando diariamente em garrafas de alcoól. Talvez eles vissem, no fundo daquela garrafa, os conflitos que existiam dentro deles mesmos, e os tentava engolir.

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